O IVA na prática: crédito, débito e geração de crédito
O IVA na prática: crédito, débito e geração de crédito
Esta página explica a mecânica que sustenta toda a simulação: o IVA e o jogo de crédito e débito. É o conceito que decide, para cada cliente, se vale mais o regime híbrido ou o normal.
O que é o IVA
A Reforma substitui cinco tributos sobre consumo por um modelo de IVA Dual, com dois tributos de base ampla (bens, serviços e direitos): a CBS, federal, que substitui PIS e Cofins; e o IBS, estadual e municipal, que substitui ICMS e ISS. A diferença essencial em relação ao modelo antigo é que o IVA é não cumulativo: em vez de o imposto incidir em cascata a cada etapa, ele incide apenas sobre o valor que cada empresa agrega.
Crédito e débito: como o IVA funciona
Na não cumulatividade plena, cada empresa tem dois lados na conta. O débito é o imposto calculado sobre as suas vendas. O crédito é o imposto que veio embutido nas suas compras. A empresa recolhe apenas a diferença entre os dois — débito menos crédito. Assim, o imposto pago em uma etapa não é cobrado de novo na seguinte: ele caminha pela cadeia como crédito até chegar ao consumidor final.
Um exemplo simples: se a empresa vende 100 e a alíquota do IVA é de 9%, ela tem 9 de débito. Se comprou 40 com a mesma alíquota, tem 3,6 de crédito. Recolhe a diferença: 5,4. As alíquotas reais sobem ao longo da transição — a estimativa é começar em torno de 8,5% em 2027 e chegar perto de 27% em 2033.
Por isso a rastreabilidade vira o centro do sistema: o que importa é saber exatamente quanto de crédito cada compra gera e quanto de débito cada venda produz.
Por que isso muda tudo para o Simples
Aqui está o ponto que a simulação ajuda a resolver: nem todo fornecedor gera a mesma quantidade de crédito para o cliente.
Um fornecedor no regime regular (Lucro Real ou Presumido) — ou uma empresa do Simples que optou pelo híbrido — gera crédito integral, pela alíquota cheia do IBS e da CBS. O cliente aproveita esse valor inteiro.
Já um fornecedor no Simples tradicional (que recolhe tudo no DAS) gera um crédito reduzido. O cliente só se credita do IBS/CBS que está embutido no DAS — algo em torno de 7%, contra os cerca de 9,25% de PIS/Cofins que o Simples conseguia transferir antes. E o próprio fornecedor do Simples tradicional não se credita das suas compras.
A consequência é comercial, não só fiscal. Em vendas para outras empresas (B2B), um cliente do Lucro Real ou Presumido tende a preferir fornecedores que entreguem crédito integral, para manter a própria neutralidade fiscal. Um fornecedor do Simples tradicional pode perder competitividade frente a um concorrente híbrido. Já quem vende direto ao consumidor final (B2C) não precisa se preocupar com isso — o consumidor não aproveita crédito.
O regime híbrido existe justamente para resolver esse impasse: a empresa do Simples passa a apurar IBS e CBS por fora do DAS, no regime regular. Com isso, gera crédito cheio para os clientes e ainda toma crédito das próprias compras (insumos, serviços, energia, aluguel, equipamentos), entrando no jogo completo de crédito e débito.
Onde isso aparece na ferramenta
Tudo isso é o que a simulação calcula. Na tela de cálculos, a Base de Débito reúne as vendas (o imposto que a empresa deve) e a Base de Crédito reúne as compras (o imposto que ela aproveita) — e essa base de crédito já separa os fornecedores do Real/Presumido dos do Simples Nacional, porque eles geram crédito diferente. A seção de Auditoria e Participantes ainda destaca os fornecedores sem direito a crédito, que são exatamente os que reduzem o aproveitamento do cliente.
Em resumo
O IVA (CBS + IBS) é não cumulativo: recolhe-se o débito das vendas menos o crédito das compras.
Geram crédito integral: Lucro Real, Lucro Presumido e Simples híbrido.
Gera crédito reduzido: Simples tradicional (limitado ao IBS/CBS dentro do DAS, cerca de 7%).
O impacto pesa no B2B; no B2C, não.
A simulação transforma esse jogo de crédito e débito em número, para decidir o regime de cada cliente.
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